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| Boletim Informativo da
Associação Científica Campo Psicanalítico e do Fórum do Campo Lacaniano na Bahia Ano II Nº 8 - Agosto de 2001 |
Estamos depois de breve recesso, dando continuidade aos encontros das noites de quarta , momento em que realizamos o SEMINÁRIO DO CAMPO PSICANALÍTICO . Ao reunir a síntese de algumas apresentações ocorridas no primeiro semestre deste ano para a confecção de FURO 8 , percebe-se como o saber , enquanto termo na estrutura discursiva , destaca-se como eixo principal dos trabalhos , que mostram-se em sua riqueza e diversidade , estimulantes no sentido de se buscar um aprofundamento dos temas tratados e debatidos entre nós . |
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FURO 8 traz a programação de agosto e setembro e pitadas de SABER para despertar o apetite daqueles que nos acompanham e dos que desejam se aproximar dos trabalhos do CAMPO PSICANALÍTICO. Aproveitamos para comunicar desde já, que como fechamento do programa deste ano estaremos realizando em 23 e 24 de novembro de 2001 a JORNADA DO CAMPO PSICANALÍTICO . |
programação-de-agosto-setembro |
| - Seminário do Campo Psicanalítico Horário: quartas-feiras das 20 às 22 horas O SABER DO PSICANALISTA O
SABER DO SONHO O SABER DO SINTOMA O SABER DO OUTRO |
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CURSO: FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE Horário:sextas-feiras das 17 às 19 horas UNIDADE II O INCONSCIENTE Coordenação:Sônia Magalhães 18/05 à 24/08 UNIDADE III A TRANSFERENCIA Coordenação: Angélia Teixeira 14 de setembro 23 de novembro SEMINÁRIO
DE MEMBROS .- Fórum
do Campo Lacaniano Os membros do Fórum do Campo Lacaniano na Bahia vêm realizando seus últimos encontros em torno da votação de "Princípios diretivos para uma Escola orientada pelos ensinamentos de Sigmund Freud e Jacques Lacan", votação que chega a seu término. Informamos que em 14, 15 e 16 de dezembro de 2001, acontecerá o Encontro Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano em Paris.
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debates-do-seminário-do-campo-psicanalítico |
| O SABER DO PSICANALISTA HÁ UM MURO "Há um muro, [a]muro. O que acontece quando estamos dentro dos muros? Do que se trata quando falamos aos muros? Não temos nenhum testemunho, mas em relação ao vazio temos uma grande idéia. Lacan trata desta questão na conferência de 6 de janeiro de 1972 no Hospital Sainte-Anne, na qual fala aos psiquiatras, àqueles que habitam os muros. Enquanto chefe de clínica ele "dava a voz aos pacientes para enviá-las às paredes já que sabia que o aprendizado não era imediato". Nesta conferência ele analisa um verso do poeta Antoine Tudal, extraido do almanaque "Paris no ano 2000", que tal como um ritornelo se ocupa do que há entre o homem e a mulher - o amor, do que há entre o homem e o amor - um mundo [território antes ocupado pela mulher] e do que há entre o homem e o mundo - um muro. Muro quer dizer reviramento, junção entre o saber e a verdade, lugar da castração. Isso é demonstrado por vias lógicas e topológicas, neste caso, por intermédio da garrafa de Klein: tudo que resulta da relação do homem e a mulher, sua posição e seu saber, é que a castração está em toda parte. Aliás este verso se encontra em "Função e campo da fala e da linguagem" ligeiramente modificado: "Entre o homem e o amor, há a mulher; entre o homem e a mulher, há um mundo; entre o homem e o mundo, há um muro". Muro agora quer dizer muro da linguagem, vulgarização dos conceitos na consciência comum ou literalização da metáfora. Outro ponto importante desta conferência, pelo qual Lacan se interessa durante toda a sua obra, diz respeito à relação da paranóia com a personalidade. Sua tese de doutorado de 1932, revisada em 1975, é que a personalidade é paranóica: tudo faz sentido. Para o psicótico, de fato. Para o neurótico, a ilusão que as coisas têm sentido, o senso comum. O sujeito neurótico recalca para fazer desaparecer algumas coisas que faziam sentido e as transforma em sem sentido, mas acredita na ilusão do sentido comum. Este é o grande paradoxo. O modelo topográfico da personalidade freudiana: Id, Ego e Superego [IES] - um ego simultaneamente impulsado e repulsado, assim como, o modelo topológico da personalidade lacaniana: Simbólico, Imaginário e Real [SIR] - um real indizível e inimaginável, ao tempo em que exclui o sentido, faz do cúmulo de sentido a condição da personalidade. Como dizia Schreber: a condição da paranóia é que todo o sem sentido se anule. RSI é a personalidade paranóica. Quanto à neurótica é preciso aditar aí um quarto nó, o sintoma, sigma - S, para que o sentido permaneça no real. RSIS é a personalidade neurótica. Se não há sentido, a razão, o lógico, o que dá sentido desliza até R.E.S.O.N., ortografia proposta pelo poeta Francis Ponge para falar de resonner, ressoar, que Lacan não ignora ao dizer que o objeto a é completamente estranho à questão do sentido e da razão. A razão é algo que se impõe como ressonante e não como intuitivo ou visual. O objeto a está do lado da lógica do significante, da lógica da matemática. Uma terceira questão abordada aliás no início desta aula diz respeito à repetição. Os colegas do Campo Lacaniano de Barcelona têm uma revista. Eles anunciaram o lançamento do último número assim: "saiu ACTE n.º 1 que é a segunda, porque resolveram chamar a primeira de n.º 0. Isso circula muito em nosso meio, dado que Lacan apontou essa leitura de Frege de que há a série dos números naturais e sua ordem, a cardinalidade e a ordinalidade. Se contamos a partir do 0, ele é o primeiro número da série. O número 1 é o segundo e o 2 é o terceiro. Por isso Lacan diz que só há repetição quando há uma segunda vez e uma segunda vez já é a terceira considerando-se o 0 como o primeiro número da série. 0 1 2 cardinal Outra forma de explicar isso seria recorrendo ao que, por necessidade de sistematização, os matemáticos dizem que o 0 é um número degenerado ou neutro porque não geram nada. Tudo o que se adiciona ao 0 permanece como está. Por outro lado, o número 1 é gerador. Isso é equivalente ao que se passa com as cadeias sobretudo borromeanas. A cadeia de 2 é degenerada, isto é, se comporta como o 0 na adição, e a cadeia de 3 é geradora, se comporta como o 1
Para
concluir sua exposição, a comentadora desta aula, Silvana Pessoa, introduz um
comentário de Miriam Chnaiderman, segundo o qual, o processo analítico vai exatamente no
sentido do revogação daquilo que se supõe saber: "No trabalho do inconsciente o
analista sempre ouve outra coisa do que está sendo dito. Lacan radicaliza essa proposta e
a opera através de um trabalho sistemático com o poético. O que é o poético senão a
irrupção do não simbólico no simbólico, ou seja, a quebra de uma lógica discursiva
linear? A eficácia de uma análise e a segurança de uma interpretação não obedecem à
lógica do sentido, é a fuga permanente de um saber constituído, mas não estamos sendo
psicanalistas quando na clínica apenas descobrimos o que Freud descobriu. É preciso
descobrir o que é o inconsciente a cada momento em cada sujeito. O progresso do
conhecimento não tolera a inalterabilidade de definições". O SABER DO
SONHO O SABER DO
SINTOMA O SABER DO
OUTRO Na última quarta de maio p.p., no Seminário "O saber do Outro" - interconexão com outros saberes científicos, o Campo Psicanalítico contou com a presença da Professora da Escola de Administração de Empresas da Universidade Católica de Salvador e membro do Núcleo de Análise do Discurso da UCSAL, NEAD, Maria José Campos Rocha que apresentou o trabalho "Um olhar sobre a retórica". Tendo como objetivo discutir algumas noções centrais da retórica grega e suas ressonâncias na contemporaneidade, o trabalho desta especialista em análise de discurso teve a atenção centrada no plano semântico-discursivo da retórica aristotélica, considerando-os, com alguns deslocamentos, como noções cruciais para a construção dos efeitos de sentido nas comunicações contemporâneas em diversificados campos, como a política, o direito, a arte, a publicidade e as interlocuções periféricas. Tomando como corpus uma peça publicitária em outdoor exposta em alguns pontos da cidade de Salvador e trabalhando na perspectiva da análise do discurso de vertente francesa, a professora Maria José realizou uma leitura da peça selecionada buscando demonstrar que na publicidade contemporânea a modulação inteligente da tríade retórica do logos, do ethos e do pathos, operando com o imaginário social, constrói o ato discursivo da persuasão e provoca um amálgama de efeitos na opinião pública. A peça selecionada pela autora - NÃO MINTA A IDADE (Deixe a sua pele fazer isso por você) é o programa de tratamento cosmético facial promovido pela marca "O Boticário". O material reúne o desenvolvimento da tecnologia bioquímica e a ideologia do culto à beleza, pretendendo quase concorrer com o saber legitimado da dermatologia. Segundo a autora, o logos é a dimensão racionável com a qual o locutor aparentando imparcialidade convoca o alocutário a fazer prevalecer a verdade. Aliás ela destacou que não existe o falante empírico, que o alocutário é uma entidade convocada pela frase. Isso se obtém pela introdução do signo da negação o que pressupõe que se mente a idade. Em si mesmo o enunciado não é verdadeiro nem falso, ele se torna verdadeiro ou falso unicamente no decorrer de uma enunciação particular. Há aí polifonia do significante - mente-se a idade e não se deve mentir a idade. O ethos, a dimensão moral entra em cena logo que se evidencia que está em jogo a questão do caráter e os costumes sociais - não é necessário mentir para ocultar o envelhecimento. O pathos, a dimensão de angústia e de culpa se instala no momento de se decidir o ato - mentir, não mentir. Instala-se o impasse da escolha entre a verdade e a mentira. A necessidade de um semblante, de uma aparência de solução então se precipita: "Deixe a sua pele fazer isso por você". Atinge-se assim o efeito econômico, efeito de satisfação ou de gozo relativos à beleza e à juventude. No caso do chiste seria esse o momento em que se produziria o riso. O trabalho da professora Maria José Campos Rocha possibilitou aos presentes um debate extremamente rico no qual se incluiu também a análise discursiva de algumas formações do inconsciente. |
um-cartel-por que ? |
Dando continuidade ao comentário de Jairo Gerbase sobre as três perguntas que Lacan propõe sobre o cartel na aula de 14 de abril de 1975 do Seminário RSI, transcrevemos a segunda. 2] Ouviram falar da identificação? Em Freud, a identificação é simplesmente genial. O que é que desejo? A identificação com o grupo. Pois é claro que os seres humanos se identificam com um grupo. Quando não se identificam com um grupo, estão mal, devem ser trancafiados. Não estou dizendo aí com que ponto do grupo eles devem se identificar. O ponto de partida de todo laço social se constitui da não-relação sexual como furo. Desta vez me refiro à aula de 16 de novembro de
1976, do seminário LInsu-que-sait de lune-bévue saile à mourre".
Lá se notará que Lacan definirá a identificação como o que se cristaliza em uma
identidade. Há para Freud pelo menos três modos de identificação, uma que ele
qualifica de amorosa, a identificação ao pai, uma feita de participação, que ele
denominou de identificação histérica, e depois aquela que ele fabrica com o traço
unário. O traço unário não tem nada de especial a ver com uma pessoa amada. Uma pessoa
pode ser indiferente, e no entanto um dos seus traços será escolhido como constituindo a
base de uma identificação. |
MEMBROS Alda Menezes-2485657-91266657- cpalda@uol.com.br |
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ASSOCIAÇÃO CIENTÍFICA CAMPO PSICANALÍTICO E FÓRUM DO CAMPO LACANIANO NA BAHIA Avenida
Reitor Miguel Calmon 1210-Centro médico do Vale Sala
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