
| BOLETIM INFORMATIVO DO CAMPO LACANIANO NA BAHIA - Ano
I Nº 6 SETEMBRO 2000 |
programação-de-setembro-outubro |
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| 06/09 - Pesquisa Psicanálise e Criança Tema: Educação
e Psicanálise Expositor: Prof. Jaime Barros Debatedora: Silvana
Pessoa 13/09 - Interface Psicanálise e Medicina Tema: A Oncologia e a Psicanálise Expositora: Ofélia Castro Debatedor: José Antonio Pereira da Silva 20/09 - Interface Psicanálise e Filosofia Tema: Heidegger - A revisão do sujeito em Heidegger Expositor: Prof. Luciano Costa Santos (UCSAL) Debatedora: Fátima Pereira 27/09 - Fórum do Campo Lacaniano Tema: Debate sobre escola Responsável: Angélia Teixeira 04/10 - Pesquisa Psicanálise e Criança Tema: Sabor e Saber "o apetite do olho e do ouvido" Expositora: Ida Batista de Freitas Debatedor: José Antonio Pereira da Silva 11/10 - Interface Psicanálise e Medicina Tema: Os benefícios da escuta psicanalítica na psicose Expositora: Silvana Pessoa Debatedor: José Antonio Pereira da Silva 18/10 - Interface Psicanálise e Filosofia Tema: Wittgnstein-Linguagem na Filosofia e na Psicanálise Expositor: Prof. Dr. João Carlos Salles (UFBA) Debatedora: Fátima Pereira 25/10 - Fórum do Campo Lacaniano Tema: Debate sobre Escola Responsável: Angélia Teixeira |
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| 28/09 - Interface Psicanálise e Criminologia Tema: O
inconsciente e os atos do sujeito Responsável: Alda Menezes 26/10 - Interface Psicanálise e Criminologia Tema: A Sociedade e o Supereu Responsável: Alda Menezes |
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| Léxico II - Léxico Freudiano Apresentação: Nilda Deiró 5ª feira - 19:00-20:30 hs. Semanal Contato: 332-6243 / 331-0096 / 332-5193 Programa: 21/09 - Repetição 28/09 - Demanda e desejo 05/10 - Narcisismo 19/10 - Sublimação e dessexualização 26/10 - Ato falho |
Léxico V- Casos Clínicos de Freud e
Lacan Apresentação: José Antonio Pereira da Silva 3ª feira - 20:00-21:30 hs. Semanal Contato: 351-7516 / 9979-3612 e-mail: japs@svn.com.br Programa: 03/10 - O homem dos lobos: cena primária; foraclusão; obsessão; paranóia 10/10 - O homem dos lobos: cena primária; foraclusão; obsessão; paranóia 17/10 - Schereber: fracasso da metáfora paterna; paranóia; esquizofrenia 24/10 - Schereber: fracasso da metáfora paterna; paranóia; esquizofrenia 31/10 - Aimée: paranóia de autopunição |
debates-de-julgo-agosto |
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psicanálise e filosofia
Os meses
de julho e agosto foram marcados por dois encontros de "Psicanálise e
Filosofia". O primeiro, no dia 26 de julho p. p., com a presença da Profa. Dra.
Elyana Barbosa que nos trouxe o tema "A ciência na Filosofia e na
Psicanálise", enfocando dois grandes filósofos que elaboraram reflexões dentro
dessa perspectiva: Karl Popper e Gaston Bachelard.
A atitude de Popper frente ao problema do conhecimento difere da
posição da grande maioria dos outros pensadores que se debruçaram sobre esta questão.
Ele não propõe caminhos que conduzam invariavelmente à verdade. Tais caminhos não
existem para ele. Não se atendo ao estritamente observável, ressalta que é preciso
inventar hipóteses ricas, conjecturas fecundas que possam propiciar predições
testáveis. Popper é trazido como aquele que rompe com a tradição cartesiana de
procurar a base do conhecimento em certezas absolutas e verdades indubitáveis. Ao final
das contas, todas as certezas indubitáveis acabam por serem triviais, tautológicas... A
meta da ciência deveria ser a construção de hipóteses férteis que oferecessem
solução a problemas. Em suma, o método popperiano poderia ser o resumo de um primeiro
momento marcado pela criatividade e um segundo, submetido ao teste de hipóteses criadas.
A palestrante teceu ainda considerações sobre o livro de Popper
"Conjecturas e Refutações", onde o autor alude sobre a diferença fundamental
que parece haver entre uma teoria como a da relatividade e as três teorias de Marx, Freud
e Adler. O que impressiona os admiradores desses autores, cita Popper, é a aparente
capacidade de explicação dessas teorias. O estudo de qualquer uma delas parece ter o
efeito de levar o pesquisador a uma nova verdade, escondida aos não-iniciados, mas
repleta de verificações aos que a ela estão adentrados. Popper conclui que essas
confirmações são apenas aparentes, pois o que ocorre em realidade, são casos
interpretados à luz da teoria em questão, dando a ilusão de uma genuína confirmação,
ou seja, a experiência é lida de um modo que sempre se acomoda à teoria.
Fundamentalmente diferente parecia ser a teoria da relatividade. Essa teoria se
apresentava como aberta à refutação, suscetível de ser refutada, colocando-se numa
posição diferente das três teorias citadas, pois as mesmas não eram capazes de
sustentar predições que colocassem em risco as teorias que as embasavam. Tais reflexões
levaram Popper a encontrar o critério que distingue a ciência das especulações
não-científicas: o critério da falseabilidade. A irrefutabilidade, deste ponto de
vista, não é uma virtude, mas um vício. Para ele, o conhecimento tem início com uma
teoria que, no confronto com a experiência é corroborada ou refutada. Sem uma teoria
prévia não é possível qualquer observação.
Quanto a Bachelard, é visto como o autor que nos apresentou o projeto
de uma antropologia completa, descrevendo o homem na sua vida onírica e intelectual. Para
ele, o que vai caracterizar o homem atual é o seu poder de inventividade. Criar para ele,
não é descobrir o que está encoberto, mas fazer ser o que não é. O homem é assim,
considerado na condição de um demiurgo, o instaurador de novas realidades...
Num esforço de aproximação com a Filosofia, a coordenação da mesa
estabeleceu algumas considerações acerca do Seminário XXV de Lacan. Uma delas, trata da
questão da racionalidade, tão cara à ciência. Para Lacan a racionalidade dependeria do
domínio daquilo que os lógicos chamaram o "Universo do discurso". Um universo
de discurso como, por exemplo, o da racionalidade geométrica, passou muito tempo restrito
à forma do círculo e fez disso uma "concepção de mundo". Só a partir da
topologia pôde-se escapar desse Universo e ultrapassar a racionalidade geométrica
anterior, indo ao "toro", `a "trança"...
Passando ao comentário do segundo encontro que tivemos na mesa de
agosto, tivemos a presença da Profa. Graça Belov (UCSal) que nos trouxe, nessa
oportunidade, o tema: "Lei do Pai e Lei do Estado" a Filosofia do Direito e a
Psicanálise. A Profa. iniciou sua fala com um panorama através de grandes nomes da
Filosofia Política da modernidade, como o filósofo Tomas Hobbes. Retomando a questão de
como viviam os homens antes do Estado enquanto instituição, numa alusão direta ao
"Leviatã", retomou os principais argumentos dessa obra hobbesiana, mostrando
como o medo de uma guerra de todos contra todos levou os homens a se reunirem e criarem um
pacto. A Lei nasce do medo da guerra, da destruição, da morte. Numa visão oposta a de
Hobbes, apresentou o filósofo J. Jacques Rousseau, tecendo considerações sobre o
"Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens",
trazendo ainda os pontos fundamentais da doutrina contratualista de John Locke, chegando
até aos pressupostos da Revolução Francesa. Nessa linha de considerações, a Profa.
chega à sociedede neo-liberal onde verifica a quebra da dicotomia entre o capitalismo e o
socialismo, onde o eixo deixa de ser o homem para ser o capital. O Estado neo-liberal que
só olha as pessoas enquanto possibilidades objetais. Citando Agostinho Ramalho Neto
"Neo-liberalismo e democracia", considera que o neo-liberalismo não tem
possibilidades de cumprir os anseios do homem. Acaba por concluir que o Estado
neo-liberal desconstituiu tudo, acabando por desconstituir o próprio Estado como
Instituição e o próprio sujeito. Numa perspectiva foucaultiana pondera que quando a
sociedade exclui o sujeito, retira dele a possibilidade de se constituir. Considera ainda,
que uma proposta neste final de século é a de que os direitos fundamentais estejam acima
da Lei. Mas como manter entre os direitos fundamentais a propriedade privada? Sendo assim,
chega à conclusão que o cerne da problemática humana é a propriedade privada...
Nas consideraçãoes possíveis, a partir da fala da palestrante,
dentre os psicanalistas presentes, Dr. Jairo Gerbase considera que há no Direito e na
Psicanálise, paradigmas distintos. Na dimensão estrutural, própria à psicanálise, a
questão que surge é: "Que instrumento tenho para caracterizar a dimensão do
sujeito? A
resposta é: o sujeito do discurso que se equivale ao sujeito mental. Para nós,
psicanalistas, a idéia de Lei pode ser entendida como um certo limite do significante.
Há limites na linguagem: há limitação no sistema simbólico. Mas a psicanálise se
arrisca a generalizar: "Todo discurso tem por origem ou finalidade o gozo." O
homem só existe no discurso, então o homem só existe enquanto fala. Na medida em que o
Direito é também discurso, podemos interrogar de que forma e como é estruturado. Num
último esforço reflexivo, a palestrante conjuntamente com os presentes se deteve na
questão: "Afinal, o que é mais essencial para o homem; o gozo ou a
propriedade?" questão esta, encaminhada para uma tentativa de superação entre as
posições do Direito e da Psicanálise, e que foram consideradas pela palestrante como:
"O homem só goza tendo..."
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psicanálise e criança
Algumas
consequências discursivas da asexo (ualidade) na adolescência, por Graciela Bessa.
Temos uma literatura bastante vasta sobre o tema da adolescência. Há
toda uma atenção voltada para esse campo onde diversos setores da cultura participam de
discussões, seja pelo viés da droga, do alcool, do aborto, da gravidez, da AIDS e porque
não incluir aí o discurso capitalista que com a mídia tem o público jovem na mira como
consumidores. A psicanálise também participa desse debate.
Embora adolescência não seja uma categoria psicanalítica há um
certo consenso entre os analistas de que se trata, (recorrendo aos termos dos tempos
lógicos de Lacan), de um momento em que se abre para o sujeito a dimensão do ato no que
diz respeito à sexualidade.
Se partirmos da leitura que Lacan realiza da obra de Freud, será
preciso dizer que o sexual é discursivo, é um dizer. O termo sexuação foi o modo de
Lacan tratar, com a lógica, a sexualidade no ser falante. Com as fórmulas da sexuação
ele trata a diferença sexual como a lógica do todo fálico e a lógica do não todo
fálico e é nisso que consiste a heterossexualidade. Assim, independentes de seu sexo
anatômico, os seres falantes estão sexualmente repartidos de acordo com a inscrição em
uma dessas duas modalidades lógicas de gozo. Com isso Lacan põe no significante, ou
melhor, na falta de um significante, os avatares que a sexualidade pode ter para cada um.
Para Lacan o sexo não é anatomia e nem tão pouco define uma relação, é um dizer e é
assim por causa do significante que faz com que alí onde deveria escrever a relação
sexual o que encontramos é o conjunto vazio. Lacan faz disso, de que não há relação
sexual, o fundamento da psicanálise: esse impossível de dizer um dos sexos.
Partindo deste fundamento, poderemos caracterizar a chamada
"adolescência" como o momento em que o sujeito experimenta ou se confronta com
a impossibilidade da relação sexual. Ela é marcada por um encontro que denominamos de
encontro com o real. Quando os rapazes e as moças estão aptos para a relação sexual,
experimentam essa impossibilidade. Proponho pensar essa impossibilidade não pela via de
que isso se dá, somente, porque a mãe está interditada, mas, por algo que Lacan
denomina de asexo. A presença do a antecedendo a palavra sexo tem duas funções, uma é
para evocar o objeto a e a outra a de ser uma partícula de negação para dizer que há
um sexo que não se escreve e com isso impossibilita que entre os sexos se estabeleça
algo que seja da relação sexual, melhor dizendo, o sexo se inscreve na não relação.
Asexo(ualidade) faz uma hiância radical entre sexo e genital e é uma
maneira de escrever o impossível de dizer do gozo feminino. É tratar o sexo como um
dizer. Para que se estabeleça uma relação sexual é necessário que haja um dizer para
um sexo e um outro dizer para o outro sexo, mas, não é isso que acontece porque o gozo
feminino se experimenta, mas, não se diz. A nossa hipótese é tomar esses sintomas que
encontramos frequentemente na adolescência não mais como retorno de fragmentos ou
detritos do Édipo que não foram suficientemente recalcados, mas, como forma de
suplência à asexo(ualidade), à não relação sexual.
É no momento de escolha de um objeto, em que irá praticar um modo de
gozo, que o adolescente fica diante do fato de que entre um homem e uma mulher não há
relação sexual, é disso que padecem os seres falantes. A tarefa do adolescente, quando
se coloca do lado todo fálico é colocar um sintoma alí onde é impossível a relação
sexual e com esse sintoma abordar uma mulher, e em relação às mulheres é se deixar
apreender nesse lugar de sintoma para um homem e assim poder experimentar um gozo que
ultrapassa os limites do falo.
O que se verifica neste momento da adolescência é que as
identificações simbólicas são necessárias mas não são suficientes para o sujeito
neste encontro com a falta de um dizer sobre um dos sexos. Cada um aí constrói um
sintoma que será seu parceiro para fazer suplência à não relação sexual.
Interface
Psicanálise e Medicina
"As
teorias filosóficas sobre a alma"
Fátima Pereira dividiu sua exposição em dois momentos: um primeiro
momento que denominou de histórico-descritivo, onde fez um comentário sucinto dos
principais filósofos, que na história da filosofia, se detiveram diante da questão da
Alma. E num segundo momento, uma reflexão contemporânea sobre a necessidade de se
abordar esse tema, buscando atingir em que medida a idéia de Mente (nome atual para
antiga noção de Alma) tem influenciado nosso mundo cartesiano-kantiano de conhecimento,
levantando a seguinte questão: é possível um projeto de ultrapassamento da idéia da
filosofia, como fundamento, através de um ultrapassamento da idéia cartesiana da
divisão corpo e mente?
Inicia por Demócrito para quem a alma e o intelecto são a mesma
coisa. Para Sócrates a alma participa da natureza divina e vem ao homem por Deus. Platão
distinguiu três poderes para a alma. O poder racional, que é aquele pelo qual a alma
raciona e domina os impulsos corpóreos, o poder concupiscível ou irracional que é
precisamente aquele que preside aos impulsos, aos desejos, às necessidades e concerne ao
corpo; e o poder irascível que é auxiliar do principio racional e se indigna e luta por
aquilo que a razão julga justo. Para Aristóteles a alma nada pode fazer sem o corpo. A
alma para ele é razão e forma, não matéria ou sujeito. A matéria é potência, a
forma é ação e como ser animado resulta de ambos, o corpo não é ação da alma, mas a
alma é quem é ação de um certo corpo. A aceitação quase universal da doutrina
aristotélica da Alma tem uma exceção em Plotino, que não quer que a alma tenha
qualquer liame com o corpo acentuando os caracteres divinos da Alma. Esta doutrina de
Plotino acaba por abrir o caminho para que o conceito de Alma seja suplantado pelo
conceito de consciência. Santo Agostinho recolhe a herança do neoplatonismo e a
transmite ao mundo cristão. Para ele, Deus está na alma e se revela na mais oculta
interioridade da própria alma.
A Escolástica do século XIV oferece-nos com Ockhan uma inovação
radical, a dúvida sobre a realidade da alma intelectiva. Ockan relega, pois a realidade
da alma intelectiva como suposto sujeito das operações espirituais de que temos
experiência. Devemos a Descartes a noção de mente como uma entidade separada na qual
ocorrem processos.
É no século XX que os filósofos Wittgestein, Heidegger e Dewey
mostram-se concordantes em que a noção do conhecimento como representação acurada,
tornada possível por processos mentais, especiais, deve ser abandonada. Richard Rorty
filósofo contemporâneo apresenta a "Filosofia e o espelho da natureza". Para
ele são as imagens e as metáforas que determinam a maior parte de nossas convicções
filosóficas. Acredita que a filosofia analítica pôde dar alguns passos mais além, mas
em ultima instância a diferença entre os filósofos analíticos e a filosofia da
tradição kantiana, é mais uma diferença de estilo e tradição do que uma diferença
de princípios primeiros. O esforço de Rorty consiste em mostrar como a gênese da
noção de epistemologia no século XVIII, e sua conexão com as noções cartesianas da
mente tem muito a ver.
Fátima finaliza sua brilhante exposição sobre o tema, com Dewey que
coloca a possibilidade de uma cultura não mais dominada pelo ideal de cognição
objetiva, mas uma cultura onde antes as ciências fossem "as flores espontâneas da
vida", livres daquela crosta de convenções filosóficas, tão difíceis de abalar.
Após
uma prática de quatorze anos com adolescentes infratores, a coordenadora da Interface
Psicanálise e Criminologia, Alda Menezes, responsável pela noite de 31/08, apresentou um
caso de acordo com o tema: " O caráter neurótico " e a neurose como expressão
de anomalia estrutural.
Caso:
Jovem de 16 anos, institucionalizado porque não tem família, vivendo
em Medida de Privação de Liberdade há mais de um ano, apresentava problemas físicos e
psíquicos; tentou o suicídio algumas vezes, obedecia normas da unidade e demonstrava
capacidade de aprendizagem.
Abrigá-lo em instituição de jovens com déficits neurológicos ou
distúrbios de comportamento o levaria a comportar-se como o grupo. Com Medida de
Progressão para Semi-liberdade poderia desenvolver-se em meio aberto. Sujeito a todos os
riscos e ao grupo de clientela diversificada, por dependência seguiria o grupo nos
comportamentos infracionais.
Os técnicos optaram por seu desenvolvimento em outubro de 1998.
Ingressou na Unidade de Semi-liberdade em uso de Tegretol e Gardenal, seu EEG apresentava
pequeno déficit. Não usava drogas, mas às vezes bebida alcóolica, embriagando-se,
passando mal.
Constatada a sua origem em duas cidades do interior da Bahia, mãe
biológica " trabalhava " com prostituição e tráfico para a mãe adotiva.
Logo desaparece e a mãe adotiva obriga a criança a servir bebidas alcóolicas no seu
barzinho. Sofre agressões dos indivíduos que trabalham com a mãe adotiva, sendo deixado
semi-morto na porta do bar. Passou por delicada cirurgia, o fato deixou marcas por quase
todo o seu corpo e no seu psiquismo e obrigou a mãe adotiva a institucionalizá-lo. Há
impossibilidade de convivência com a mãe adotiva e com o pai que tem dúvidas sobre sua
paternidade e a companheira atual não aceita o jovem.
No período, outubro de 1998 à junho próximo passado, trabalhou,
estudou, foi encaminhado aos Programas da Instituição que oferecem moradia e emprego.
Seu EEG atual tem laudo normal, usa Gardenal e um benzodiazepínico para controlar sua
ansiedade.
Em 1999 namorou uma colega, a gravidez na jovem foi motivo de "
reatualização de sua história de vida ". Em junho próximo passado agrediu
fisicamente o colega de 12 anos por trazer "tóxico" para a mãe do seu filho.
Detido na Derca foi liberado em uma semana. Após três dias, incompreendido ao querer
segurar o filho no colo, nova tentativa de agressão o levou ao regime de Privação de
Liberdade, considerado período de custódia. Tarde implicou duas condições para a plena
responsabilidade do sujeito: "a similitude social e a identidade pessoal."
Kate Friedlander desenvolveu uma concepção genética do "
caráter neurótico " enquanto isolamento do grupo familiar e da neurose como
expressão de anomalia estrutural implicando mutilações autoplásticas. Daniel Lagache
considera importante não a explicação da "passagem ao ato" no neurótico
obsessivo mas do sujeito encerrado na conduta imaginária com adaptação parcial ao real.
A condição não natural do humano, assujeitado a fala e a linguagem
enquanto "sentido e história de vida", implica sua passagem por uma sucessão
de crises: desmame, intrusão, Édipo, puberdade e adolescência cada uma delas
reformulando nova síntese do "eu," cada vez mais alienante para as pulsões
frustradas impossibilitando uma normalização.
Apreendemos com Dr. Jairo Gerbase no seu Seminário SINTOMA, ESPAÇO,
TEMPO, a "dicotomia" ou "impossibilidade" entre espaço (corpo) e
tempo (significantes) através da identificação,identificação de significante,
enquanto imaginária ou alienante. Ele considera que os casos clínicos devem ser tratados
atipicamente, dentro da mais estrita particularidade.
No trabalho social é estritamente necessária a particularidade de
cada caso. Sabemos que na estrutura perversa o indivíduo faz o ato por "vontade de
gozo" enquanto que na sua maioria os casos atendidos são de "passagem ao
ato" no neurótico obsessivo, onde o sujeito está na dialética Lei x Desejo, com
implicação da culpa.
Em 1950, Lacan considerou que as tensões criminosas na situação
familiar só se tornam patogênicas nas sociedades onde essa situação se desintegra.
Foi interessante a discussão com excelentes participações do
Psicanalista José Antônio, Drª Claudia Vaz Psicanalista com atuação no judiciário,
Drª Carla Santos Ramos, advogada com interesse nessa área,e da Terapeuta Ocupacional
Alessandra Tavares Ramos havendo trocas de informações na conexão Psicanálise e
Criminologia.
| seminario-de-jairo-gerbase |
1 Ver Soler, C., Ubicación del Escrito de J. Lacan "De una cuestión preliminar...", acte, junio 2000, N.º 1.
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EXPEDIENTE
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CAMPO LACANIANO NA
BAHIA
Av. Reitor Miguel Calmon, 1210
(Vale do Canela)
Centro Médico do Vale - sala 110
CEP 40110-100 Salvador BA
Tel.: (71) 245-5681 Fax: (71) 247-4585
e-mail: lacaniano@svn.com.br
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Organização
Jairo Gerbase, Fátima Pereira e Alda Menezes
Divulgação e Acolhimento
José Antônio Pereira da Silva e Ida Freitas
Publicação
Sônia Magalhães e Silvana Pessoa
Biblioteca
Amélia Almeida e Myrian Cardoso
Fórum do Campo Lacaniano
Angélia Teixeira, Nilda Deiró e Andréa Hortélio Fernandes
Comissão Editorial do "FURO"
José Antônio Pereira da Silva e Ida Freitas
tiragem
100 exemplares
design
claudioxavier@brasilmail.com.br
cacauxavier@bol.com.br