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BOLETIM INFORMATIVO DO CAMPO LACANIANO NA BAHIA - Ano I  
Nº 4  JULHO  2000

Estamos finalizando o primeiro semestre deste ano, concluindo os léxicos I, II, e III, dando seguimento no entanto, sem interrupção às noites das quarta-feiras, assim como da pesquisa psicanálise e criminologia que se situam dentro de uma programação anual. Em breve estaremos lançando a programação dos léxicos e seminário. É muito provável que a riqueza das apresentações até aqui ocorridas e dos debates delas decorrentes esteja suscitando em cada um, a busca de saber, a vontade de pesquisar mais profundamente este ou aquele tema, e para tanto a sugestão de cartéis será sempre bem vinda. Neste número Furo abre novo espaço, Furo Entrevista, com o intuito de ampliar a interlocução com os participantes do Campo Lacaniano na Bahia e pessoas afins. Jairo Gerbase tece um interessante comentário intitulado "A psicanálise não tem nada a ver com o sexo" onde aborda questões relativas a seu seminário do primeiro semestre e pontos que pretende tratar em seu próximo seminário.

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QUARTAS DO CAMPO LACANIANO - 20 HS

05/07 - Fórum: Debate sobre o Passe. A técnica psicanalítica: Do amor a feminilidade. Frederico Ricciardi.
12/07 - Sabor e saber – asexo(ualidade) na adolescência (Gravidez-aborto-droga-Aids).
Expositora: Graciela Bessa. Debatedora: Nilda Deiró.
19/07 - Os avanços da psiquiatria no tratamento psíquico. Eduardo Pondé.
26/07 - Popper/Bachelard. A ciência na filosofia e na psicanálise. Profa. Dra. Elyana Barbosa (UCSAL).
27/07 (quinta-feira) - A relação entre as condutas individuais e as estruturas sociais simbólicas. Psicanálise e Criminologia. Coordenação: Alda Menezes.

Obs. 1: as atividades de Pesquisa e Interface são abertas ao público previamente entrevistado e inscrito.
Obs. 2: os novos alunos dos léxicos deverão ser entrevistados pela Comissão de Acolhimento. Contato com: Ida Freitas - 245 2305 e José Antônio - 351 7516/ 9979 3612.

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Seminário Clínica Lacaniana
Psicanálise tem nada a ver com sexo

    O comentário do seminário "O momento de concluir" de Jacques Lacan [1977-78], distribuídos em treze aulas das quais onze foram dadas, ficou, do ponto de vista prático, sem conclusão. Vamos retomar as duas aulas restantes em um novo seminário que iniciaremos em agosto próximo, sob o titulo de "Sintoma Espaço Tempo", ocasião em que teremos a oportunidade de comentar diversos autores que têm contribuído para a compreensão da Topologia de Jacques Lacan, além de outros que tratam da Topologia em geral. Por outro lado, pode-se dizer que o comentário do seminário foi concluído porque partimos e chegamos ao mesmo fundamento da psicanálise - não há relação sexual - definido desta vez de modo mais preciso através do matema d’asexo [ualidade].
    Pode-se colocar o fundamento da psicanálise em dois níveis: no nível do mito e no nível da estrutura. No nível do mito é justo colocar o fundamento da psicanálise no Complexo de Édipo. Trata-se da interdição do Desejo da Mãe agenciada pelo Nome-do-Pai. O mito é necessário cada vez que se está diante de um impossível de escrever. Não é por acaso, segundo Freud, que três das obras-primas da literatura mundial - Édipo Rei, de Sófocles; Hamlet, Príncipe da Dinamarca, de Shakespeare e Os Irmãos Karamazovi, de Dostoiévsky - tratam do mesmo assunto, o parricídio. Nelas, ademais, o motivo do assassinato do pai é a relação sexual incestuosa. A tragédia grega é mais direta: nesta o próprio herói comete o crime sem saber. Na peça inglesa, a representação é mais indireta: o herói não comete o parricídio, ele próprio, por isso o motivo oculto da rivalidade incestuosa não precisa ser disfarçado. No romance russo o motivo da devastação incestuosa é abertamente admitido: trata-se do irmão do herói, Dimitri; introduz-se aí a rivalidade fraterna. Pode-se acrescentar ainda o mito de Freud - Totem e Tabu.
    Em dado momento de seu ensino, [O desejo e sua interpretação, 1959], Lacan interveio para dizer que a relação de Hamlet é com seu ato, que trata-se de um ato a realizar que ele adia sempre para o dia seguinte, que o ato que lhe é proposto pelo fantasma de seu pai não é o mesmo ato de Édipo porque Édipo nada sabe enquanto Hamlet sabe e por isso torna-se devedor do crime de existir. O que Hamlet sabe é que falta no Outro um significante que possa responder ao ser. A peça inglesa narra como algo passa a eqüivaler ao que faltou, à castração. O essencial da peça é o que fazer com o assassinato do pai, mas o que se coloca em primeiro plano é o Desejo da Mãe. Hamlet tem a chance de assassinar seu tio Cláudio no oratório, mas espera assassiná-lo quando ele estiver gozando do corpo da Rainha. Hamlet se debate com um desejo, mas não se trata de seu desejo, porém do desejo de sua mãe. O que lhe faz procrastinar é verificar que sua mãe deseja, que ela não é santa e isso introduz a abjuração. Gertrude é uma Dirne, que não conhece o luto, que serve a refeição do funeral no banquete do casamento e isso faz o drama de Hamlet, o drama do desejo do homem, o drama do objeto digno e do objeto indigno.
    Pode-se evocar, acerca dessa duplicação do objeto, Flor de Obsessão, de Nelson Rodrigues, referido na Revista Bravo N.º 33: "Em toda história que escrevo, desde os seis, sete anos, há sempre alguém traindo alguém. E por que essa insistência? Porque, a rigor, só existe para o ser humano uma questão: - ser ou não ser traído. No fim de certo tempo, a relação erótica entre marido e mulher soa quase como um incesto. É um escândalo que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos".
    No recente livro de Harold Bloom - Shakespeare - a invenção do humano, comentado por André Luiz Barros na mesma revista, Hamlet é proposto como o mito fundador da subjetividade ocidental. Shakespeare foi o primeiro escritor da história, diz Bloom, a dar voz interior aos seus personagens, munindo-os com uma medida de subjetividade até então inexistente mesmo na vida real. Shakespeare e Freud inventaram na modernidade a vida interior, a idéia de humano.
    No nível da estrutura, entretanto, devemos colocar o fundamento da psicanálise na impossibilidade da relação sexual e isso é algo distinto do que se disse até aqui acerca da tragédia de Édipo ou do drama de Hamlet. O matema d’asexo [ualidade] quer anunciar que alguma coisa no trabalho do inconsciente não pode escrever-se, o que quer dizer que é próprio da estrutura de linguagem, da estrutura de significante que, em nenhum lugar, sob nenhum signo o sexo se escreva a partir de uma relação. Com efeito, em conseqüência disso, o matema d’asexo [ualidade] quer enunciar que não há relação sexual a não ser entre gerações vizinhas, os pais, de um lado, os filhos, de outro. Dito de outro modo: não há relação sexual senão incestuosa ou assassina. Eis aí a distinção: a interdição do incesto, agenciada pelo pai, é uma lei suplementar necessária para evitar a relação sexual lá onde ela é possível, lá onde ela não se escreve como impossibilidade. A impossibilidade da relação sexual não se aplica à relação edipiana, hamletiana. O enunciado "não há relação sexual" se aplica aos dois gozos, aos assim chamados gozo do homem e da mulher. Por isso dizemos que o fundamento da psicanálise não é o Complexo de Édipo, mas a não-relação sexual, não é a bisexo [ualidade], mas asexo [ualidade], não é o parricídio, mas o gozicídio, isto é, a perda de gozo induzida pela falta de um significante. Por isso dizemos que psicanálise não tem nada a ver com sexo, nem com bisexo, mas com asexo.

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Debate de Junho

FÓRUM DO CAMPO LACANIANO NA BAHIA

    No mês de junho, o Fórum teve a satisfação de escutar Sônia Magalhães e com ela discutir a Formação do Analista e o Passe.
    A expositora comentou alguns pontos do texto de Colette Soler intitulado: "La passe, écheces et empan des succès", destacando a necessidade de atualização quanto ao que se espera do final da análise no âmbito da técnica e a ética, sem perder de vista que há algo de impossível no campo da transferência.
    Convoca os analistas a refletirem sobre a posição das suficiências que se garantem do sujeito suposto saber, para lembrar o quanto de avesso é esta posição do analista, perdendo assim a dimensão do debate a céu aberto e da crítica assídua.
    Quanto ao passe, segundo a autora, ele nos obriga a repensar a psicanálise na civilização e não a restringe unicamente à clínica. Portanto se o passe pudesse ser usado fora da pior política da psicanálise, poderia ter o êxito ao menos de sustentar o desejo de repensar a psicanálise, uma vez que há aí demanda de surpresa.
    Neste debate se rediscutiu a causalidade da psicanálise, sendo colocado o problema da necessidade de dar provas neste campo.
    Esta foi a última apresentação do semestre, quando, assim como nos debates anteriores, reafirmou-se a máxima de Lacan: o analista se autoriza por si mesmo.

PESQUISA:
PSICANÁLISE E CRIANÇA

    "Porque o Direito rejeita o discurso psicanalítico?" Assim começou a sua apresentação Graça Belov, psicóloga, advogada e professora de Direito da UFBa e da Universidade Católica, no último dia 14. Embora tanto o Direito quanto a psicanálise trabalhem com a lei, a do Estado para o Direito e a do Pai para a Psicanálise, "o Direito recusa a psicanálise porque esta permite ao sujeito dizer tudo o que pensa colocando-o numa posição libertária"
    De formação marxista e afinada com a posição feminista, a expositora fez, com muita segurança e erudição, um recorte histórico do conceito de cidadão, ao se ocupar do tema proposto pela Pesquisa - Psicanálise e Criança - Responsabilidade do cidadão e do sujeito.
    "Há uma dicotomia universal desde antes de Cristo", afirmou Graça Belov. "A sociedade sempre foi dividida entre cidadãos e res. O cristianismo conseguiu implantar o princípio fundamental de cidadania, mas não extinguiu a dicotomia. Nos séculos que antecederam o cristianismo, os escravos e as mulheres ocupavam o lugar de res. Na Grécia, sobretudo com Aristóteles e Platão, a mulher era um ser desprovido de alma, sua inteligência se esvaía pelo sangue. Isso mudou um pouco com a Revolução Francesa quando o Estado Liberal foi implantado. A cidadania passou a ser baseada no tripé - Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Apesar desde fato ter sido um marco na história, já que, a partir daí, mudaram-se todas as leis do estado social, a sociedade permaneceu dividida, afirma Graça " A mulher continuou numa condição de inferioridade, só mudando um pouco esta situação - sobretudo no Brasil - nos anos 70, com o movimento feminista". Os que estão, hoje, na condição de res, principalmente aqui no Brasil, são os excluídos sociais ou, como se chama na pós-modernidade, os disfuncionais, os sem direitos políticos, sem registro ou carteira de trabalho, aqueles que não conseguiram estabelecer qualquer vínculo ou laço social e aqueles que estão na marginalidade quebrando regras. Estes ficam esperando que a Lei do Pai seja dada pelo Estado, e como isto não acontece, é com a infração e o delito que eles reagem a uma condição absoluta de morte. É só assim que eles passam a existir".
    Na exposição de Graça Belov a responsabilidade do cidadão foi mais explorada que a responsabilidade do sujeito e, também, mais explorada a responsabilidade civil que a subjetiva, que hoje poderíamos definir como responsabilidade pelo próprio gozo. Seria o caso de se perguntar: há algum usufruto daquele que é colocado na posição de excluído, de miserável ou disfuncional? Do ponto de vista da psicanálise, se poderia, também, perguntar se não haveria alguma satisfação em ser minoria, em ser desfiliado? Considerando-se que neste tema "Responsabilidade do cidadão e do sujeito", particularmente no termo "responsabilidade do sujeito", está em jogo o desejo humano, se poderia perguntar: que satisfação pulsional pode existir para aquele que se encontra na posição de disfuncional, quer tenha sido colocado aí voluntariamente, ou não?
    Sabemos que esta é uma pergunta delicada porque tomando pelo ponto de vista marxista, que foi dominante na exposição, esta pergunta parece improcedente, porque toda essa minoria histórica que este discurso isola, criança, mulher e pobre é definida como o produto da sociedade capitalista. Graça Belov chega a afirmar, utilizando uma linguagem médica, que eles não reagem porque são os que tem uma baixa imunidade, são os mais susceptíveis. "A eles não resta outra forma de gozo a não ser a da procriação ou da transgressão, porque o Estado diz que estão aí para morrer. Com a procriação eles devolvem ao Estado o produto do seu descaso,"
    Só há responsabilidade moral com o livre arbítrio e isto está excluído aos miseráveis. A estes se castra a fala impedindo que se constituam como sujeitos. No entanto, não importa a lei, não importa o que o Estado proíba, os excluídos, os criminosos tem o direito de falar. Por isso, Graça Belov acredita que a psicanálise é a única prática que tem a possibilidade de libertar o desejo mínimo destes sujeitos, "porque a escuta cria a possibilidade que o outro fale e se coloque em uma posição diferente da que o Estado o quer colocar".

INTERFACE
PSICANÁLISE E FILOSOFIA

    No dia 28 de junho a Interface Psicanálise e Filosofia realizou seu quarto encontro para trazer o tema: - Nietzsche: A problemática do "eterno retorno" sob a responsabilidade do Professor Doutor Monclar Valverde, da Faculdade de Comunicações da UFBa.
    Monclar iniciou sua exposição trazendo Nietzsche no contexto do pensamento do século XX, como o autor evocado por pensadores das mais variadas procedências e posições: - nazistas, anarquistas, cristãos, ateus, socialistas, literatos..., na maioria das vezes, operando recortes arbitrários em sua obra, multiplicando interpretações parcializadas e fragmentárias de suas obras. Todavia, o palestrante adverte que a filosofia acadêmica não é o lugar onde convergiriam as reflexões nietzschianas. "Mestre da suspeita", Nietzsche ousa perder a conquista da verdade para ter o prazer de reconquistá-la... Introdutor do perspectivismo da existência admite a contradição e o paradoxo, recusando posturas estabelecidas, sem cair num relativismo, pois para ele , o relativismo e o dogmatismo são as duas faces da mesma moeda... Discorre ainda, sobre a mudança de tópica filosófica em Nietzsche, ou seja, o deslocamento da pergunta filosófica tradicional: "O que é o homem?", "O que é o ente?" para a pergunta: "Quem fala?", no sentido de que tipo de força, de investimento se coloca na palavra daquele que fala. Essa mudança de pergunta teve como conseqüência o deslocamento de uma questão de tipo metafísico para uma preocupação com o sentido daquilo que nos move.
    Por fim, na primeira parte de sua fala, o palestrante nos mostrou a apropriação, na obra de Nietzsche, do conceito de força, permitindo, a partir daí, falar de um mundo numa visão relacional a partir do próprio dinamismo que a noção de força insinua, daí tira seus dois conceitos principais, a " vontade de potência" e o "eterno retorno". Para Nietzsche, a grande mentira de seu tempo foi a de trazer a vida no sentido de uma força que quer se manter. Para ela viver é querer ser mais. Enquanto estou vivo não é a permanência da espécie, mas a radicalização de minhas tendências, aquilo que conta. Por outro lado, vai buscar na Física o conceito de força num mundo de relações tensionais. Na "Gaia ciência" e no Assim falou Zaratustra", Nietzsche pôde melhor trazer a doutrina do eterno retorno. Monclar, adentrando ao tema principal de sua palestra, elenca pelo menos seis possíveis interpretações dessa doutrina.
    A primeira é a interpretação mais literal, no sentido físico-matemático. Se o mundo não é um mundo de coisas mas de forças, se estas forças são finitas num tempo infinito, então essas forças retornarão para sempre. O mundo é o incriado que se mantém no seu todo eternamente. Para Nietzsche isso tem conseqüências morais. Viver como se cada um de meus atos se repetisse eternamente. Imperativo com implicações sociais: - todas as segregações retornarão eternamente. Monclar, num comentário crítico, aponta os limites desde empreendimento, ao apoiar-se na ciência do século XIX, pois a teoria da força acaba sendo superada pelo conceito de campo eletromagnético... A interpretação de Heidegger sobre Nietzsche também foi enfatizada pelo palestrante quando comenta que Nietzsche, ao criticar a metafísica acabou por instaurar uma outra metafísica. Pensar que todas as coisas retornam é extremamente ôntico. Heidegger, através de uma perspectiva existencial, procura mostrar que o ser do homem é o existir. Este ser do existente é indissociável de sua condição temporal. O tempo é algo complexo que comporta muitas dimensões.
    Por último, numa leitura propriamente hermenêutica, coloca que se o mundo é um mundo de relações, então o que há de material no mundo é uma matriz de sentidos, através da qual teríamos acesso aos objetos. O eterno retorno do mesmo seria o eterno retorno do mundo enquanto significação. Só compreendemos o que já compreendíamos...
A partir dessas considerações, um diálogo possível com a psicanálise pode ser apontado, onde aproximações entre o campo filosófico e psicanalítico puderam aí serem aventadas. A relação entre força e pulsão, entre o eterno retorno e a repetição freudiana, que, longe de ser um retorno da necessidade, aponta para uma repetição que demanda o novo. Um conceito de repetição assentado num outro tempo que não o da estrutura linear ( cronológica ), mas o tempo enquanto Aion, tempo errante, sem lugar, comportando uma repetição inesgotável, tempo que pode sempre recomeçar numa outra direção, permitindo entender o eterno retorno como seleção transmutadora de tudo aquilo que resiste.

INTERFACE:
PSICANÁLISE E CRIMINOLOGIA

    Na noite de 15 de junho realizou-se o quarto encontro da Interface Psicanálise e Criminologia, na Sede do Campo Lacaniano na Bahia. A coordenadora da Interface e expositora desta noite, Alda Menezes trabalhou sobre o tema: "A relação das estrutura psíquicas e os atos dos sujeito".
    Entre outros pontos, Alda ressaltou que o sujeito dividido S / da Psicanálise desnaturalizado pela transmissão da cultura através da linguagem, tem o inconsciente como condição de linguagem e o assujeitamento forçado aos seus atos enquanto atos de sua própria fala, respondendo no limite do corpo e do psíquico às pulsões parciais, que implicam sintomas, configuração do corpo e também atos criminosos. Mas principalmente está aí implicado o simbólico, a morbidez do supereu e suas conotações: culpa, vergonha e castigo.
    O tema abordado teve como referência a tese de Lacan de 1950: "do crime em suas relações com a realidade do criminoso: se a Psicanálise fornece sua medida, ela indica seu móvel social fundamental".
    Alda indicou que é contingente falar do sujeito dividido da psicanálise S /, cujo inconsciente enquanto condição de linguagem o assujeita ou força-o ao automatismo de suas repetições ou passagens ao ato criminoso.
    Na sua prática com criança e adolescente que juridicamente cometeram atos infracionais, observa a triste condição humana dos sujeitos nas estruturas: neurótica, perversa e psicótica.
    Na neurose teríamos o recalque ou denegação, Verneinung, onde o sujeito está submetido à dialética do desejo mas pode fazer uma passagem ao ato criminoso, resultando isto mais do que uma sanção judicial, muita culpa e auto-destruição. Atos mais verificados nos sujeitos neuróticos obsessivos.
    Na perversão, ou desmentido, o sujeito desmente a castração materna e faz o ato. Com o seu ato pode aceder ao gozo enquanto objeto na sua fantasia S / ^ v a. Esse ato pode sustentar o que se chama gozo do Outro.
    Na psicose pode também o sujeito fazer uma passagem ao ato criminoso advindo uma estabilização.
    A discussão foi proveitosa, com exemplos trazidos pelos presentes, dentre estes a Dra. Carla Ramos, advogada.

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FURO ENTREVISTA

    Esta coluna é mais um meio de informação do nosso boletim que tem por um dos objetivos promover uma interação com os participantes do Campo Lacaniano na Bahia para que as atividades por este oferecidas estejam permanentemente sendo reavaliadas e repensadas e assim possamos alcançar um melhor aproveitamento da transmissão.
    Neste número, o FURO entrevistou duas colegas que gentilmente teceram seus comentários acerca da programação em que estavam inseridas.
    Dentre os léxicos foram comentados o I e o III. O léxico I foi caracterizado por apresentar seu conteúdo de modo sintético porém abrangente ,sendo empolgante a possibilidade de associar teoria e prática.Sobre o léxico III, destacou-se a didática e o cuidado na transmissão dos termos e conceitos, em geral desconhecidos para aqueles que iniciam o estudo da psicanálise, sendo considerada a experiência em participar desse léxico, instigante e motivadora, propondo-se que essas atividades pudessem desenvolver-se num tempo maior.
    As atividades das quartas-feiras foram classificadas como um convite à pesquisa, destacando-se os debates sobre a formação do psicanalista e a pesquisa Psicanálise e Criança, com o tema Sabor e Saber na articulação entre literatura e psicanálise e com a apresentação da Dra. Graça Belov, expondo com mestria a questão da responsabilidade do cidadão no Direito, sendo redargüida por Angélia Teixeira no tocante à responsabilidade do sujeito na psicanálise.
    O programa de Psicanálise e Filosofia foi apontado como extremamente enriquecedor pelo acesso ao pensamento filosófico, que contribuiu para a construção do pensamento psicanalítico.

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I FÓRUM NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO
FÓRUNS DO CAMPO LACANIANO

Neurose, Psicose e Perversão das
Estruturas Clínicas à Clínica dos Discursos
12 a 14 de Outubro de 2000
Hotel Del Mar – Aracaju – SE
Informações: DITUR - Fax: (79) 246-2652
Tel.: (79) 246-1607

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CAMPO LACANIANO NA BAHIA
Av. Reitor Miguel Calmon, 1210
(Vale do Canela)
Centro Médico do Vale - sala 110
CEP 40110-100 Salvador BA
Tel.: (71) 245-5681 Fax: (71) 247-4585
e-mail: lacaniano@svn.com.br
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Organização
Jairo Gerbase, Fátima Pereira e Alda Menezes
Divulgação e Acolhimento
José Antônio Pereira da Silva e Ida Freitas
Publicação
Sônia Magalhães e Silvana Pessoa
Biblioteca
Amélia Almeida e Myrian Cardoso
Fórum do Campo Lacaniano
Angélia Teixeira, Nilda Deiró e Andréa Hortélio Fernandes
Comissão Editorial do "FURO"
José Antônio Pereira da Silva e Ida Freitas