| BOLETIM INFORMATIVO DO CAMPO LACANIANO NA BAHIA - Ano I Nº 1 Abril 2000 |
Furo é o boletim
informativo do Campo Lacaniano na Bahia. A escolha deste nome, Furo, aponta para o furo
estrutural do sujeito. É através do furo que ocorre a operação de reviramento do toro,
figura topológica, operação que Lacan no seminário 25, "O Momento de
Concluir", utilizou para explicar o conceito de identificação, a relação entre
interior, mente, psiquismo e identificação, enfim de como alguma coisa exterior se torna
interior. Mas furo é também o termo que a linguagem jornalística aplica à notícia em
primeira mão. Algo dessa natureza que pretendemos alcançar neste pontual veículo de
comunicação.
Debate de Março
As atividades do Campo Lacaniano na Bahia, neste primeiro semestre do ano 2000, foram inauguradas com um Fórum de debate sobre a formação clínica do psicanalista.
Três condições da formação do psicanalista foram apresentadas: a análise redundantemente chamada de didática foi apresentada como a condição necessária da formação do analista. O passe foi apresentado como a condição suficiente dessa formação. O ensino da psicanálise que a rigor trabalha contra a formação do psicanalista, na medida em que contribui para o recalque do saber, foi apresentado como uma condição acessória.
Foi possível demonstrar a incompatibilidade entre o discurso do analista e o discurso da universidade.
FÓRUM Debate Sobre o Passe
O Debate Sobre o Passe e a Formação do Analista nas quartas-feiras, discute a atualidade do princípio inaugurado por Lacan: o analista se autoriza por si mesmo e o faz sustentado na própria análise. Se a análise é a condição necessária para ser analista, a recíproca não é verdadeira, ou seja, todo aquele que se analisa não está autorizado a tornar-se analista. O Passe viria contribuir com este aparente paradoxo?
PESQUISA PSICANÁLISE E CRIANÇA
O programa Psicanálise e Criança, que este ano tem como norteador de pesquisa o tema Prazer e o Gozo, iniciou sua atividade em 22 de março de 2000, com a intervenção do psicanalista Jairo Gerbase sobre o discurso de encerramento das Jornadas sobre Psicose na Infância, organizada por Maud Mannoni em Paris, em outubro de 1967. Nesta ocasião Lacan foi surpreendido pelo fato que, numa reunião com especialistas de crianças, uma enorme importância foi dada a relação do corpo da criança com a mãe, sem levar em conta o gozo, o inconsciente e a não existência da relação sexual. Há muito mito na importância da relação mãe-filho, destaca Gerbase, elide-se com isso a importância do objeto a que é o que se subtrai, propondo durante sua apresentação que a psicanálise deixe à pedagogia, a tarefa de se ocupar da relação mãe-filho, já que o fundamento da teoria psicanalítica é se ocupar da relação homem-mulher. A atuação do psicanalista, continua Gerbase de forma inovadora, consiste em saber operar sobre a satisfação do sintoma, não mais sobre a fantasia, já que a ética da psicanálise enuncia que toda formação humana tem por necessidade refrear o gozo.
A religião, a filosofia, o hedonismo dizem como refrear o gozo cada qual à sua maneira, mas a psicanálise diz claramente que é pelo princípio do prazer, que se enuncia que o ser não deve viver em tensão e que deve padecer o menos possível.
Este é, então, o convite que a psicanálise nos faz este ano: situar a criança, enquanto sujeito dividido, generalizada, e nos perguntar, nestas noites de quarta-feira mensais, como ela lida com a redução de gozo, com a angústia, ou dito de outra maneira, com o horror ao saber.
INTERFACE PSICANÁLISE E MEDICINA
Iniciando o seu programa, esta interface contou com a contribuição de Jairo Gerbase, que tomou como referência Karl Popper, para estabelecer a diferença e a relação entre a mente e o cérebro. Na contramão dos fisicalistas, que reduziam a mente ao cérebro, Popper propôs um descolamento disso, indicando que o cérebro é possuído pelo Eu, portanto, o Eu seria o programador do cérebro. A mente seria o seu piloto. O cérebro seria a base física do Eu. O que na ampla discussão após a explanação do tema, apontou-se: a mente é o discurso.
INTERFACE PSICANÁLISE E CRIMINOLOGIA
Com o tema: "As duas faces da verdade na Criminologia", foi iniciada no dia 03 de março esta Interface. Implicando a face policial do crime e a face antropológica do criminoso permitiu trazer na exposição o sujeito dividido da Psicanálise (S/), assujeitado à fala e à linguagem, repetindo automaticamente nos "atos de fala" a sua verdade.
Na discussão, com a participação de José Antonio, tivemos contribuições dos presentes que têm uma prática na área do crime.
Programação Abril 2000
LÉXICOS PSICANALÍTICOS:
LÉXICO I PsicanáliseLÉXICO II Léxico Freudiano
03/04
3.0 - Identificação
3.1 - amorosa ao pai
3.2 - participação histérica
3.3 - ao traço unário
3.4 - ao sintoma
10/04
4.0 - Alienação e separação
4.1 - significante da alienação
4.2 - significante da interpretação
17/04
5.0 - Repetição
5.1 - A função da repetição
5.2 - Modos de repetição
5.2.1 - automaton
5.2.2 - tiqué
5.2.3 - a função da tiqué
24/04
6.0 - Demanda e desejo
Apresentação: Nilda Deiró
2ª
LÉXICO III - Léxico Lacaniano 1
07/04
Objeto [ a ]
- O discurso do analista
- O analista e a verdade
14/04
Sentido (Synn) e referência (Bedeutung)
- A teoria lingüística de Frege
- Sentido e Referência em Freud
- O significado como metáfora
28/04
Outro ( A )
- O Outro e a estrutura
- O Outro e o Significante
- A estrutura e o furo
Apresentação:
6a feira 14:30hs.
A Função da Fala na Clínica Psicanalítica
13/04
Coordenação:Angélia Teixeira
5ª
INTERFACE:
PSICANÁliSE E CRIMINOLOGIAQUARTAS DO CAMPO LACANIANO - 20 HS
05/04
Psicanálise e Filosofia - Descartes
A Constituição do Sujeito no Pensamento Filosófico. Prof. Joceval Bitencourt (UCSAL)
Coordenação:Fátima Pereira
Contato:237 5890/9945 5872
12/04
FORUM: debate sobre o passe
Coordenação: Angélia Teixeira e Nilda Deiró
Contato: 235 4245/331 0096
19/04
PSICANÁLISE E CRIANÇA - Sabor e Saber na articulação Religião e Psicanálise -
"O Outro não existe".
Expositor: Prof. Dr. Adauto Magalhães - Pastor da Igreja Presbiteriana
Debatedor: Marcelo Magalhães
Coordenação:Fátima Pereira
Coordenação: Sônia Magalhães, Silvana Pessoa e Nilda Deiró
Contato: 261 6330/9121 7900
26/04
PSICANÁLISE E MEDICINA
Como a Homeopatia vê e trabalha com o Ser Humano - Lauro Tonhá
Coordenação: José Antonio P. da Silva e Ida Freitas
Contato: 3517516/245 2305
Obs. 1: as atividades de Pesquisa e Interface são abertas ao
público previamente entrevistado e inscrito.
Obs. 2: os novos alunos dos léxicos deverão ser entrevistados pela Comissão de
Acolhimento. Contato com: Ida Freitas - 245 2305 e José Antônio - 351 7516/9979 3612.

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Organização Jairo Gerbase, Fátima Pereira e Alda Menezes Divulgação e Acolhimento José Antônio Pereira da Silva e Ida Freitas Publicação Sônia Magalhães e Silvana Pessoa Biblioteca Amélia Almeida e Myrian Cardoso Fórum do Campo Lacaniano Angélia Teixeira e Nilda Deiró Comissão Editorial do "FURO" José Antônio Pereira da Silva e Ida Freitas |