O objeto a: invenção lacaniana
O objeto a, escrito com letra minúscula ou, como Lacan o escreveu, petit a, é uma invenção lacaniana. É um conceito novo concebido por ele para o uso da psicanálise. É uma abreviatura da palavra autre que significa outro.
Nesse sentido, sua origem pode ser remontada ao começo de seu ensino. Talvez possamos dizer que o termo que o antecede seja o caput mortuum do significante. Caput mortuum, cabeça dos mortos, cabeça morta é uma expressão de que se servem os alquimistas para designar o resíduo não líquido de suas análises; eles comparam esses resíduos a uma cabeça, da qual a operação alquimista houvesse retirado o espírito. O caput mortuum é, antes da concepção do objeto a, sua idéia de um resto que escapa à sucessão ou cadeia significante.
Na abertura dos Escritos, o objeto a aparece, pela primeira vez, para indicar a causa da divisão do sujeito. No esquema L, ele designa a relação imaginária [a - a'] pelo menos enquanto outro, objeto do eu; ai ele vem substituir o objeto fundamentalmente perdido de Freud. Em seguida, comparece no esquema R, contribuindo para demarcar o quadrângulo do Real. Nesse momento, Lacan diz que é interessante localizar no esquema R o objeto a para esclarecer o que ele traz para o campo da realidade (campo que o barra). Aparece ainda no esquema I, o esquema da estrutura do sujeito ao término do processo psicótico. E, novamente, no esquema de Bouasse, cujo modelo fornece suas funções imaginárias e reais. Depois, aparece no esquema da fantasia sadiana, para sustentar a utopia do desejo. E, ainda, no grafo do desejo, na fórmula da fantasia [◊a] assim como no vetor [i(a) - m]. Isso para limitar sua presença apenas nas representações gráficas.
No seminário da transferência, no comentário do Banquete de Platão, pode-se dizer que o objeto a é o ágalma. Nos quatro discursos ele adquire novo termo - mais-de-gozar – e pode ocupar, entre outros, o lugar de agente no discurso do analista. Na fórmula da sexuação, o objeto a compartilha com o [S()] e com [] o lado Não-Toda da fórmula. No RSI elese define como resto impossível de simbolizar e se torna o ponto de coincidência que reúne os três registros, assim como os três gozos. No centro do nó borromeano o objeto a é o gozo irredutível, impossível de dizer.
O objeto a foi concebido por Lacan para designar o objeto desejado pelo sujeito, mas que dele se esquiva até o ponto de ser não representável ou de se tornar um resto não simbolizável. O objeto a é o objeto causa do desejo. Não é um objeto do mundo. É um objeto não representável e que só comparece em vislumbres. Embora ele se constitua entre a demanda (a linguagem) e a necessidade, nenhum alimento pode satisfazê-lo, por exemplo, o seio. Ele é mais precioso ao sujeito do que a satisfação de uma necessidade, pois é a condição absoluta de sua existência enquanto sujeito desejante. O objeto a é a letra enquanto distinta do significante; ele é o vazio, o nada, o resto, a falta e o furo.
A noção do objeto a conecta-se ainda com os tempos do sujeito do inconsciente, tema do Vº Encontro Internacional da EPCL, Os tempos do sujeito do Inconsciente – a psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise- que acontecerá em São Paulo, nos dia 5 e 6 de julho de 2008. A referência ao tempo remete tanto ao tempo perdido como ao tempo que nos falta e almejamos, dimensões estas que se aproximam das diferentes vertentes já expostas do objeto a seja como objeto perdido, mais-de-gozar, causa de desejo, etc. Nos últimos anos do ensino de Lacan é possível afirmar que o tempo para o inconsciente é inapreensível, fugindo à lógica cronológica. Entre o tempo e o falasser há sempre algo de real que escapa a toda tentativa de apreensão pelo simbólico ou pelo imaginário.
O Campo Psicanalítico é a Formação Clínica da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano na Bahia. Com sede em Salvador e Ilhéus/Itabuna congrega psicanalistas e interessados no saber da psicanálise com o objetivo de proceder a transmissão, a pesquisa e a clínica da psicanálise.
Neste ano, o Campo Psicanalítico desenvolverá as seguintes atividades: cursos de Fundamentos da Psicanálise oferecendo aos iniciantes no estudo da psicanálise, o tema O Inconsciente e o Curso avançado Ato e Tempo – Sobre a Procrastinação. A Seção Clínica, espaço reservado aos membros e correspondentes do Campo Psicanalítico, e também aos praticantes de ANÁLISE (Clínica Social de orientação Psicanalítica), Grupo de pesquisa, sobre Fobia e Leitura Comentada do Seminário 2 e do Seminário 17, além dos Cartéis.
No Seminário do Fórum Salvador, Fórum da EPFCL – Brasil, trabalharemos o tema - Os tempos do sujeito do inconsciente-, como preparação para o Encontro internacional.
O Campo Psicanalítico iniciará suas atividades em 05 de março, às 20h com a Conferência da psicanalista Daniela Scheinkman Chatelard, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e membro da Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê, doutora em Filosofia pela Universidade de Paris VIII, e autora dos livros Da pulsão escópica ao olhar: um percurso, uma esquize e O conceito de objeto na psicanálise – do fenômeno à escrita, este último com o lançamento em Salvador após a Conferência. Para a abertura do programa 2008 estão convidados todos os interessados em aproximar-se da transmissão, pesquisa e clínica a que se propõe o Campo Psicanalítico.
ABERTURA DO PROGRAMA DO CAMPO PSICANALÍTICO - 2008
CONFERÊNCIA E LANÇAMENTO DO LIVRO
O Conceito do objeto na psicanálise: do fenômeno à escrita
Conferenciasta e autora
Daniela Scheinkman Chaterlard - EPFCL - Brasil - Fórum Brasília - Psicanalista, doutora em filosofia.
05 de março de 2008 - 20h
Local: Auditório da SAEB - Centro Médico Empresarial
Av. Garibaldi, 1815, sobreloja - Garibaldi | Aberto ao público - vagas limitadas.
I - Curso de Fundamentos - Semestral
O Inconsciente
Coordenação: Soraya Carvalho
Terças-feiras - 20:30 às 22h
Início: 11/03/08
Se a invenção lacaniana foi o objeto a, a invenção freudiana foi, sem dúvida, o inconsciente. Unbewusste, a marca do que se tornou quase um sinônimo da psicanálise. Não há como entender a psicanálise sem tomar como referência o conceito de inconsciente, seja no seu aspecto dinâmico, topográfico ou econômico. Este curso de fundamentos se propõe a estudar alguns textos da obra freudiana, visando percorrer o caminho teórico traçado por Freud, que culminou na elaboração deste conceito. Estudaremos desde a pré-história do inconsciente, sua relação com o desejo e a pulsão, o recalcamento e as formações do inconsciente: sonhos, chistes, atos falhos e sintomas.
Referências:
Freud, Sigmund. Obras Completas:
As neuropsicoses de defesa - vol III
A interpretação dos sonhos - vol IV e vol V
Os chistes e sua relação com o inconsciente - vol VII
Conferências introdutórias - parte I - Parapraxias - vol XV
Novas conferências Introdutórias - As sutilezas de um ato falho - vol XXII
Repressão - vol XIV
O Inconsciente - vol XIV
Conferências Introdutórias - parte III - Teoria Geral das Neuroses - vol XVI
Conferência XVII - O sentido dos sintomas - vol XVI
Conferência XXIII - Os caminhos da formação dos sintomas - vol XVI
Garcia Rosa, Luis Alfredo. Freud e o Inconsciente
II - Curso avançado
Ressentimento - Vou procurar no seminário 24 de Lacan o "insucesso" que condiciona o ressentimento do sujeito de um significante - Jairo Gerbase
Quarta-feira - 18h30
III - SEMINÁRIO DO CAMPO PSICANALÍTICO - ANUAL
Seminário permanente de estudos avançados
Objeto a: invenção lacaniana
Coordenação: Soraya Carvalho
Quarta-feira - quinzenal - 20h
A propósito de como o conceito de objeto é particularmente tratado na teoria psicanalítica, propomos retomá-lo a partir da perspectiva lacaniana, o objeto a, dentro dos três diferentes registros: real, simbólico e imaginário e sua correlação com a demanda, o desejo, o gozo, a lógica, a sexuação, os discursos, os nós borromeanos e a clínica.
| PROGRAMA |
| 12 de março - a invenção lacaniana – Jairo Gerbase |
| 26 de março - Objetividade e objetalidade – Eliane Foguel |
| 09 de abril - a na sexuação – Marcus do Rio |
| 23 de abril - a criança como objeto – Ida Freitas |
| 07 de maio - a nos discursos – Angélia Teixeira |
| 21 de maio - a consistência lógica – José Antônio Pereira |
| 04 de junho - a nos nós – Jairo Gerbase |
| 18 de junho - a mais-de-gozar – Andrea Fernandes |
| 13 de agosto - Objetos da demanda e objetos do desejo – Simey Soeiro |
| 27 de agosto - a voz e o olhar no cinema – Sonia Magalhães |
| 10 de setembro - a voz e o olhar na psicose – Jamile Abdala |
| 24 de setembro - a droga – Olga Sá |
| 08 de outubro - Distúrbios alimentares – Amélia Almeida |
| 22 de outubro - a na melancolia – Soraya Carvalho |
IV - SEMINÁRIO DA ESCOLA DE PSICANÁLISE DOS FORUNS DO CAMPO LACANIANO - BRASIL - FORUM SALVADOR
Os tempos do sujeito do inconsciente - a psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise
Coordenação: Andréa Hortélio Fernandes
Quarta-feira - quinzenal - 20h
As atividades do Fórum do Campo Lacaniano de Salvador deste ano estarão dedicadas ao tema Os Tempos do Sujeito do Inconsciente: A Psicanálise no seu Tempo e o Tempo na Psicanálise tendo por objetivo trabalharmos e nos prepararmos para o V Encontro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano que acontecerá nos dias 05 e 06 de julho em São Paulo. Os encontros locais acontecerão às quartas-feiras quinzenalmente na sede do Campo Psicanalítico sempre às 20 horas. Trata-se de uma atividade franqueada ao público em que convidamos os interessados a participarem da discussão em torno dos seguintes temas:
| PROGRAMA |
| 19 de março - Que tempo para psicanálise? – Andréa Hortélio Fernandes |
| 02 de abril - A psicanálise no seu tempo – Jairo Gerbase |
| 16 de abril - A tranferência: tempo da análise – Angélia Teixeira |
| 30 de abril - O tempo lógico – José Antônio Pereira |
| 14 de maio - Tempo da escola, tempo do sujeito: algumas reflexões sobre o fracasso escolar – Ligia Arruda Lima |
| 28 de maio - O futuro anterior na experiência psicanalítica – Sonia Magalhães |
| 11 de junho - A morte pode esperar? – Soraya Carvalho |
| 06 de agosto - O tempo no teatro – Vera Mota |
| 20 de agosto - Tempo e Saber – Vera Edington |
| 03 de setembro - Tempo de subjetivação: o adolescente e o corpo – Manoela Jatobá |
| 17 de setembro - Repetir, Recordar e Elaborar – Juliana Oliveira |
| 01 de outubro - Uma intervenção no tempo da constituição do sujeito – Daniele Wanderley |
| 15 de outubro - A transferência marcador lógico da psicanálise – Célia Fiamenghi |
| 29 de outubro - Identificação: tempo de fazer-se ser – Ida Freitas |
V - SEÇÃO CLÍNICA
A incidência do objeto a na clínica
Coordenação: Angélia Teixeira
Terceira segunda feira do mês às 20h30
Início: 28/04/08
O Campo Psicanalítico reserva um espaço institucional para discutir e refletir acerca da clínica psicanalítica praticada por seus membros, correspondentes e praticantes de Análise (Clínica Social de Orientação Psicanalítica), em caráter restrito. O debate, este ano, se fará em torno do tema A incidência do objeto a na clínica psicanalítica.
| 28 de abril – Ester Gelman |
| 19 de maio – Caroline Mata |
| 16 de junho – Gerson Pereira |
| 18 de agosto – Thaíne Araújo |
| 15 de setembro – Romilson Nascimento |
| 20 de outubro – Alba Aguiar |
VI - LEITURA COMENTADA
Esta atividade tem por objetivo a aproximação e sistematização da leitura de textos de Freud e Lacan, assim como das referências utilizadas por eles em sua transmissão.
SEMINÁRIO 2 - O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise
Coordenação: Ida Freitas
Segundas-feiras - 19 às 20h30
Dando continuidade ao estudo do Imaginário, faremos a leitura comentada do Seminário 2, onde Lacan se dedica ao conceito do eu, desde uma perspectiva filosófica clássica até a subversão freudiana do conceito.
SEMINÁRIO 17 - O avesso da psicanálise
Coordenação: Marcus do Rio Teixeira
Terças-feiras – 19h às 20h30
Neste semestre retomamos o grupo de leitura e discussão do Seminário 17, O Avesso da Psicanálise, iniciado no ano passado. Como se sabe, é neste seminário que Lacan formula aquela que ficou conhecida como sua teoria dos discursos, que articula o sujeito, o significante-mestre, o saber e o objeto a, aqui conceitualizado como mais-de-gozar. Este dispositivo de grande simplicidade e concisão permite abordar os laços sociais em toda sua complexidade. Apesar de seguirmos a ordem das aulas do seminário, nossa abordagem não se atém à cronologia, e em nossas discussões fazemos constantemente referência tanto a aulas anteriores deste quanto a teorizações de seminários posteriores. Assim, não é necessário haver participado da primeira etapa para inscrever-se nesta.
VII - GRUPOS DE PESQUISA
FOBIA
Coordenação: Amélia Almeida
4as feiras das 16:30 às 18hs
Esse ano daremos continuidade à pesquisa e ao estudo da fobia. Inicialmente vamos retomar os principais pontos das leituras realizadas em 2007 ao longo da obra de Jacques Lacan, especialmente a do livro 4 - a relação de objeto, o que favorece a adesão de novos interessados em participar do grupo. Em seguida faremos uma pesquisa bibliográfica das produções mais recentes e significativas sobre o tema a fim de traçarmos o percurso das novas leituras. Também será o ano que pretendemos incentivar a pesquisa e a produção de um texto individual.
VIII - CARTEL
Coordenação: Andréa Hortélio Fernandes
O cartel é um dispositivo da Escola de Psicanálise associado à sua transmissão. Para além dos cursos e seminários, Jacques Lacan destacou a função dos cartéis na formação do analista, formação contínua por excelência. Num cartel quatro pessoas se agrupam com mais-uma em torno de um tema de interesse comum. O desejo de saber move o cartel. A ênfase dada ao cartel na Escola de psicanálise vincula-se ao fato de cada um participar de acordo com o ponto em que se encontra na prática e na teoria, o importante é que o intercâmbio faz com que cada um ocupe o lugar de sujeito desejante (
) que interroga o saber da psicanálise.
Feita esta introdução a coordenação de cartéis pretende estimular a criação de cartéis através de noites para sorteios de cartéis e/ou divulgação de propostas de temas no FURO do Campo psicanalítico.
Nome do cartel: CATAVENTO
Tema do cartel: PSICANÁLISE E CRIANÇA
Componentes e Temas:
ANNA AMÉLIA DE FARIA - corpus em Orlan;
CHRISTIANNI MATOS - Feminilidade X Maternidade:Um estudo sobre a constituição dessas duas posições subjetivas na perspectiva psicanítica;
JAIRO GERBASE - Os paradigmas da psicanálise;
LILIANA VALÉRIA RIBAS DE ALMEIDA (Mais-Um) - Psicose e Criança;
TERESA NEVES - Estudo da Teoria Psicanalítica, a partir da leitura de Lacan, privilegiando as abordagens gráficas e as interfaces com outros campos do saber.
IX - ANALISE - Clínica Social de Orientação Psicanalítica
Cordenação: Andréa Lima e Angélia Teixeira
Debates de ANALISE – O tempo na Clínica Social
Apresentação: Flávio Câmara e José Antonio Pereira da Silva
Coordenação: Angélia Teixeira
09/06/2008 – 20h
VIII JORNADA DO CAMPO PSICANALÍTICO
V JORNADA DA EPFCL - Brasil - Fórum Salvador
VI JORNADA DE ANÁLISE
Objeto a: invenção lacaniana
07 e 08 de novembro de 2008
V ENCONTRO INTERNACIONAL DA ESCOLA DE PSICANÁLISE DOS FÓRUNS DO CAMPO LACANIANO - BRASIL
Os Tempos do Sujeito do Inconsciente
A Psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise
Fórum São Paulo - 05 e 06 de julho de 2008
www.campolacaniano.com.br
INSCRIÇÕES
A partir de 25 de fevereiro na sede do Campo Psicanalítico
VALOR DAS MENSALIDADES
Profissionais - R$180,00
Estudantes - R$120,00