Associação Científica Campo Psicanalítico

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O Campo Psicanalítico é a Formação Clínica da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano Brasil na Bahia. Com sede em Salvador e Ilhéus/Itabuna congrega psicanalistas e interessados no saber da psicanálise com o objetivo de proceder a transmissão, a pesquisa e a clínica da psicanálise.

Programa

Salvador
apresentação

O objeto a: invenção lacaniana

O objeto a, escrito com letra minúscula ou, como Lacan o escreveu, petit a, é uma invenção lacaniana. É um conceito novo concebido por ele para o uso da psicanálise. É uma abreviatura da palavra autre que significa outro.
Nesse sentido, sua origem pode ser remontada ao começo de seu ensino. Talvez possamos dizer que o termo que o antecede seja o caput mortuum do significante. Caput mortuum, cabeça dos mortos, cabeça morta é uma expressão de que se servem os alquimistas para designar o resíduo não líquido de suas análises; eles comparam esses resíduos a uma cabeça, da qual a operação alquimista houvesse retirado o espírito. O caput mortuum é, antes da concepção do objeto a, sua idéia de um resto que escapa à sucessão ou cadeia significante.
Na abertura dos Escritos, o objeto a aparece, pela primeira vez, para indicar a causa da divisão do sujeito. No esquema L, ele designa a relação imaginária [a - a'] pelo menos enquanto outro, objeto do eu; ai ele vem substituir o objeto fundamentalmente perdido de Freud. Em seguida, comparece no esquema R, contribuindo para demarcar o quadrângulo do Real. Nesse momento, Lacan diz que é interessante localizar no esquema R o objeto a para esclarecer o que ele traz para o campo da realidade (campo que o barra). Aparece ainda no esquema I, o esquema da estrutura do sujeito ao término do processo psicótico. E, novamente, no esquema de Bouasse, cujo modelo fornece suas funções imaginárias e reais. Depois, aparece no esquema da fantasia sadiana, para sustentar a utopia do desejo. E, ainda, no grafo do desejo, na fórmula da fantasia [◊a] assim como no vetor [i(a) - m]. Isso para limitar sua presença apenas nas representações gráficas.
No seminário da transferência, no comentário do Banquete de Platão, pode-se dizer que o objeto a é o ágalma. Nos quatro discursos ele adquire novo termo - mais-de-gozar – e pode ocupar, entre outros, o lugar de agente no discurso do analista. Na fórmula da sexuação, o objeto a compartilha com o [S()] e com [] o lado Não-Toda da fórmula. No RSI elese define como resto impossível de simbolizar e se torna o ponto de coincidência que reúne os três registros, assim como os três gozos. No centro do nó borromeano o objeto a é o gozo irredutível, impossível de dizer.
O objeto a foi concebido por Lacan para designar o objeto desejado pelo sujeito, mas que dele se esquiva até o ponto de ser não representável ou de se tornar um resto não simbolizável. O objeto a é o objeto causa do desejo. Não é um objeto do mundo. É um objeto não representável e que só comparece em vislumbres. Embora ele se constitua entre a demanda (a linguagem) e a necessidade, nenhum alimento pode satisfazê-lo, por exemplo, o seio. Ele é mais precioso ao sujeito do que a satisfação de uma necessidade, pois é a condição absoluta de sua existência enquanto sujeito desejante. O objeto a é a letra enquanto distinta do significante; ele é o vazio, o nada, o resto, a falta e o furo.
A noção do objeto a conecta-se ainda com os tempos do sujeito do inconsciente, tema do Vº Encontro Internacional da EPCL, Os tempos do sujeito do Inconsciente – a psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise- que acontecerá em São Paulo, nos  dia 5 e 6 de julho de 2008. A referência ao tempo remete tanto ao tempo perdido como ao tempo que nos falta e almejamos, dimensões estas que se aproximam das diferentes vertentes já expostas do objeto a seja como objeto perdido, mais-de-gozar, causa de desejo, etc. Nos últimos anos do ensino de Lacan é possível afirmar que o tempo para o inconsciente é inapreensível, fugindo à lógica cronológica. Entre o tempo e o falasser há sempre algo de real que escapa a toda tentativa de apreensão pelo simbólico ou pelo imaginário.
O Campo Psicanalítico é a Formação Clínica da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano na Bahia. Com sede em Salvador e Ilhéus/Itabuna congrega psicanalistas e interessados no saber da psicanálise com o objetivo de proceder a transmissão, a pesquisa e a clínica da psicanálise.
Neste ano, o Campo Psicanalítico desenvolverá as seguintes atividades: cursos de Fundamentos da Psicanálise oferecendo aos iniciantes no estudo da psicanálise, o tema O Inconsciente e o Curso avançado Ato e Tempo – Sobre a Procrastinação. A Seção Clínica, espaço reservado aos membros e correspondentes do Campo Psicanalítico, e também aos praticantes de ANÁLISE (Clínica Social de orientação Psicanalítica), Grupo de pesquisa, sobre Fobia e Leitura Comentada do Seminário 2 e do Seminário 17, além dos Cartéis.
No Seminário do Fórum Salvador, Fórum da EPFCL – Brasil, trabalharemos o tema - Os tempos do sujeito do inconsciente-, como preparação para o Encontro internacional.
O Campo Psicanalítico iniciará suas atividades em 05 de março, às 20h com a Conferência da psicanalista Daniela Scheinkman Chatelard, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e membro da Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê, doutora em Filosofia pela Universidade de Paris VIII, e autora dos livros Da pulsão escópica ao olhar: um percurso, uma esquize e O conceito de objeto na psicanálise – do fenômeno à escrita, este último com o lançamento em Salvador após a Conferência. Para a abertura do programa 2008 estão convidados todos os interessados em aproximar-se da transmissão, pesquisa e clínica a que se propõe o Campo Psicanalítico.

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